segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O ânimo que passa através de você

Recentemente baixei a trilha sonora de "O Piano" (The Piano, Nova Zelândia, 1993), filme dirigido por Jane Campion. . Uma das faixas deste album me toca em espacial. Chama-se "The mood that passes through you", de autoria do Michael Nyman.

A melodia começa com tons mais graves e depois vai ficando com o som mais agudo. Porém, em algum momento, eu começo a achar que a música desanda, perde seu ritmo e poderia ficar nas teclas mais à direita. Se eu tenho críticas à música, por que continuo escutando? Isto me fez pensar que eu gosto mais da música pelo o que ela representa dentro do filme do que necessariamente pela melodia dela. E então eu lembrei da cena, que agora conto pra vocês.
No entanto,  é preciso fazer antes uma pequena sinopse do filme para situar esta cena:
SPOILERS OPEN
Ada (Holly Hunter) é uma mãe solteira muda que vivia na Escócia do século XIX. Seu pai realiza um casamento arranjado com um colono britânico na Nova Zelândia, de modo que ela e sua pequena filha (Anna Paquin) se mudam para as terras exóticas daquela ilha no Pacífico. 
Enquanto esperam pela chegada do seu novo marido Alisdair (Sam Neil) na praia deserta em que desembarcam, Ada toca músicas no piano. O filme utiliza-se de uma voz off (artifício desnecessário, diga-se de passagem) para mostrar a paixão que esta tem por seu piano, em que ela indica que sentirá falta de tocá-lo durante a longa viagem que fará até a Nova Zelândia. Durante a espera, mostra-se o seu rosto enquanto toca o instrumento, em que os olhos se fecham e o sorriso se abre sem muito intuito. 
A chegada no novo marido para buscá-la na praia, no entanto, começa mal. Este, incapaz de perceber a importância do instrumento, não se dispõe a levá-lo para a fazenda por ser muito pesada. Ada esperneia, faz linguagem de sinais para a filha tentar impedi-lo de deixar o piano no mar, fica emburrada. Todas essas ações, em vão, revelam que Ada vê naquele instrumento muito mais do que um lazer, mas também um instrumento de comunicação. E todo o filme é neste sentido: um desentendimento levando às consequências de um relacionamento que jamais irá decolar, porque o piano é onde Ada se impõe, por onde ela pode se comunicar.
Neste meio tempo, entra um capataz Baines (Harvey Keitel), que tem uma sensibilidade maior em perceber como aquele instrumento é, para Ada, tão importante. Ao vê-la pedindo para ser levada com a filha para praia, o capataz pede para Alisdair o piano para sua casa. Ada reluta, mas depois descobre que poderá tocar o piano na casa do capataz. 
Durante esses encontros na casa de Baines, este intensifica seus desejos por Ada, que também fica desejosa por alguém que lhe deu acesso ao piano. Mas Baines, por mais sensível, vê também que conseguirá algumas coisas em troca do piano. Assim ele começa a barganhar o instrumento em troca de pequenos favores, como tocar em suas pernas, abraçá-la, beijá-la. Ada, agora casada, reluta  em ceder a Baines, mas ao mesmo tempo começa a sentir prazer em ser desejada, ficando um pouco grata por ele dar acesso ao seu piano,. 
Nesses pequenos encontros, acontece a cena que eu acho sensacional. Por volta de 40 minutos de projeção, Baines pede para Ada tocar o piano. Ada se vira e "The mood that passes through" entoa belamente, no momento em que Baines começa a tocar em suas costas. A melodia vai ficando aguda e o movimento da cena mostra que Ada também estava gostando do toque. Baines vê na recepção um momento de aumentar a intensidade do toque, mas Ada, ainda receosa com os desejos que estava sentindo, começa a tocar uma outra melodia, quase uma marchinha. Interrompe-se o contato.
Se vocês viram pela descrição, a cena não tem mais de 2 minutos. Porém eu acho a Jane Campion genial neste sentido. Trata-se de um prazer interrompido, de alguém que muda da melodia sedutora para a barulhenta em busca de interromper um desejo com culpa. Como espectador, fiquei com uma vontade tremenda que aquele ato se consumasse, que a Ada cedesse e que o Baines se saciasse, mas não: voltamos ao mundo normal, onde os desejos são contidos e senti-los é um momento de culpa.
Por conseguir utilizar a trilha sonora como parte da comunicação de Ada e por expressar um desejo interrompido pela culpa, eu gosto muito de "The mood that passes through". A cena, para mim, é belíssima, apesar de não consegui achá-la no youtube.
No mais, fica a indicação do filme. Hoje, depois de tanto assisti-lo, acredito que ele perdeu um pouco do brilho. Mas, mesmo assim, vale muito a pena. 






quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Educação ruim


Em 2004, escrevia um jornal feito no Complexo Educacional Contemporâneo, em Natal. O jornal se chamava “Dê Niu Iorqui Taimes” e tratava basicamente de fofocas internas da turma, com piadinhas sobre colegas de sala. Era bastante divertido, apesar de ter algumas piadas homofóbicas que hoje eu não faria e, em muitos sentidos, era potencialmente uma fonte para bullying.
Quando vim para Brasília, ele foi extinto. Mas as pessoas quiseram assumir a ideia, surgindo novos escritores e novos jornal. Acho que foi Guma, Pedro Barros, Marília e outras pessoas que continuaram a escrita dele. Não lembro bem
Dois meses depois, jornais foram proibidos pela direção da escola. A coordenação, em conjunto com a diretoria, afirmou que o jornal não tinha nada de educativo, de modo que seria um desperdício de tempo a apresentação dele na frente da sala. Oito anos se passaram e eu já via tal explicação como bastante tosca. O que eu penso hoje só confirma o quão imbecil é um educador afirmar que um jornal publicado por alunos não é um processo educativo. Antes fosse afirmando que o jornal era um foco de bullying (o que eu acredito que não fosse), mas não. O que apenas foi dito era que aquilo era um desperdício de tempo e uma deseducação. Eu não sei se preciso explicar isto, mas aquele jornal era capaz de desenvolver muitas habilidades nos estudantes. A escrita, a leitura, oratória, conhecimento de gêneros textuais, desenvolvimento crítico, observação dos fatos sociais, etc.. Mas o autoritarismo de uma escola é incapaz de permitir iniciativas que não sejam constituídas pela equipe pedagógica.
Quando o jornal foi censurado, fiz críticas no antigo fotolog da turma. Pelas críticas, a diretoria ligou para minha mãe e conversou sobre esse texto, porque aquilo era propaganda negativa. Com isto, deletei o texto, meio que com medo do que poderia acontecer, como um processo judicial por injúria. Hoje, como sou advogado, sei muito bem que o que eu disse não era, nem de longe, algo errado. Uma iniciativa como a menina do “Diário de Classe”, pelo contrário, tem sido vista como bastante positiva. Queria ter continuado a escrever minhas críticas àquela escola, só que escutei dos meus queridos pais que “merda a gente faz no sanitário”. =(
Hoje eu entrei no sítio eletrônico da minha escola em Natal (http://www.contemporaneo.com.br). Não sei como está a administração da escola dentro de sala de aula, quais são as tensões existentes entre alunos e corpo docente, mas o sítio eletrônico já demonstra como são lamentáveis as concepções de educação que se há naquela escola. O ensino médio não é apresentado como simplesmente “ensino médio”, mas como “ensino médio/pré-vestibular”.
Por que pensar o ensino médio como pré-vestibular? Este nível da educação deveria ser auto-suficiente, por mais que seja desejoso aos estudantes continuar seus processos de formação na educação superior. É um desserviço acreditar que aquilo é uma etapa que se coroa pela conquista de uma vaga na Universidade. Essa ideia é tão naturalizada que o terceiro ano do ensino médio não é chamado de “3º”, mas de “pré”. E, como eu lembro, o "pré" não precisaria se dedicar à educação física e não participa das atividades extra-curriculares da escola. Muito pelo contrário: os “pré-vestibulandos” devem se centrar nos estudos para o vestibular, fazendo uma revisão completa de todas as disciplinas do ensino médio.
Terminado o que eu tenho a comentar, uma pergunta que não quer calar: será que vão ligar aqui pra casa depois de reclamar sobre minhas críticas?

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Educação jurídica e autoritarismo


Não sei se essa história é verdadeira, mas, mesmo que seja falsa, ela é minimamente plausível. Dizem que aconteceu numa universidade particular, mas poderia acontecer na Universidade de Brasília que não me causaria espanto. Eu vou floreá-la para deixar mais bonita e, portanto, isto aqui não passa de uma alegoria.
Certa vez, uma professora de direito processual penal iniciou o semestre fazendo uma pequena revisão sobre direito penal, apresentando alguns conceitos que as pessoas aprendem na “teoria do crime”. Em certo momento, a professora apresentou o conceito de “crime impossível”. Para quem não sabe o que significa este conceito, pode-se dizer que é quando alguém acha que esta cometendo um delito, mas sua ação não é tipificada em lei. Um exemplo bem clássico é quando uma pessoa atira num defunto achando que ele ainda estar vivo. A intenção, de fato, era cometer um homicídio, mas as circunstâncias de que a potencial vítima estava morta impede de subsumir a uma ação de “matar alguém”.
Pois bem. A professora, com o intuito de “provocar” a turma, fez um exemplo um tanto ortodoxo. Ela afirmou que era um crime impossível o estupro de “mulher feia”. Começou a soltar um monte de gafes estilo Rafinha Bastos (não, ele ainda não tinha soltado esta pérola horrorosa no seu programa), dizendo que aquilo era um favor e que, por isso, não poderia ser punido penalmente.
A sala de aula, escutando tal tipo de comentário, se remexeu. Alguns acharam super engraçado, afinal, era isso mesmo! “Mulher feia não sofre estupro, ganha favor”. Em um ponto da sala, alguns com o espírito um pouco mais feminista, que vêem nesta atitude uma hierarquização frontal às relações de gênero, começaram a ficar desconfortáveis.
Entretanto, esses sentimentos ficaram guardados. O silêncio, às vezes cortado por risadinhas dos idiotas, se manteve. A professora não quis deixar passar e continuou com argumentos circulares. O desconforto batendo nas cabecinhas de estudantes, principalmente das mulheres, mas todo mundo continuou calado.
A professora ficou abismada com a passividade apresentada. Foi então que ela se explicou, disse que não concordava com nada do que tinha dito, que se tratava apenas de uma atuação tosca. Afirmou que queria ver o grau de espírito crítico da turma, e em que sentido eles são contestadores. Quando a máscara da professora caiu, todos os alunos começaram a modificar seus comportamentos: quem ria, parou. Quem estava sério, começou a endossar os comentários da professora.
Se eu fosse essa professora, eu ficaria triste em perceber que os estudantes se comportam de acordo com o que o professor demonstra seu pensamento. Parece que a sala de aula é um espaço em que o que o professor diz é verdade, que não há razões de discordar. 
Uma das minhas razões de sair de uma faculdade de direito é esta. Professores são poderosos demais. O espaço escolar está longe de ser um local em que as regras de democracia e comportamento adequado são sancionados.
Eu fico abismado com a quantidade de ações abusivas que um professor poderá cometer. Me espanta, entretanto, a passividade de alunos diante dessas ações.

domingo, 1 de abril de 2012

Imagens Inéditas!

Imagens escondidas de uma banca de revista no centro de Goiânia-GO, em que mostra a equipe do governador Marconi Perillo, senador Demostenes Torres e sua trupe corrupta tentando esconder o escândalo ao pegar todos os exemplares da revista Carta Capital.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sobre o ato de abraçar


Vovó Paé me disse que as histórias tristes a gente deve escrever na areia. Eu entendo esta mensagem, mas peço licença para escrever uma história triste, porque algumas palavras sobre o ato de abraçar decorrem desta história.

Era 2003, mainha tinha ido para a casa de vovó. Quando voltou, eu perguntei como tinha sido lá. “Sua vó foi direto de Cajueiro para o hospital. Ela disse que chegou lá 'toda cafajeste' e que o médico nem tinha dado atenção para ela. Mas ela falou que conseguiu ver vovó Guilhermina”.

Depois daquele dia, eu comecei a chamar pessoas mal-vestidas de “toda cafajeste”. Rio sempre porque lembro de vovó Paé falando “toda cafajeste”. Mas também naquele dia a mãe de vovó Paé não votaria mais para a casa. Vovó Guilhermina, minha bisavó, tinha sido internada porque tinha passado mal. Eu não lembro muito bem o que aconteceu, também nem procurei saber muito porque aquilo, para mim, era apenas a idade. Eu entendia que a fragilidade da saúde de vovó Guilhermina era porque ela já se encontrava velhinha, com seus 88 anos.

Foi mais ou menos um mês de idas e vindas ao Hospital do Coração, de visitas a UTI e de um coma que já não acabava mais. Vovó Paé contou para mim que tentou conversar com a mãe dela antes do coma, perguntando se ela sabia quem era. Vovó Guilhermina, que já não estava muito consciente, disse: “não é Dunga? É Alexandre”.

Numa sexta-feira à noite, enquanto eu ficava aperreando mainha para a gente assistir “Carandiru” no cinema, pois só poderia assistir ao filme acompanhado de um maior de idade, o telefone tocou. E, como era tio Hércules e muito raramente tio Hércules ligava lá para casa, eu já imaginava qual era a notícia.

Mainha ficou chorosa, com o rosto mais vermelho do que o usual. Começou a ligar para outras pessoas e a informar que vovó Guilhermina tinha morrido. O meu cinema de sexta-feira furou, além de que o sábado seria dia de enterro. O domingo, que já seria um dia das mães sisudo com a situação da bisavó, só se tornaria um pouco mais lamentável.

No cemitério, já se encontrava diversos familiares ao redor do caixão, dentro da capela. Eu não consegui entrar e fiquei escutando a missa do lado de fora, observando a situação distante juntamente com minhas duas irmãs mais velhas. Lembro que o clima estava muito agradável, lembro como eu achei ótimo as meninas da ginástica terem ido ao enterro e dá um apoio para vovó Paé. Lembro também o quão eu fiquei incomodado com pessoas usando óculos escuros dentro de uma capela, como se fosse vergonhoso mostrar lágrimas em um enterro.

Até o fim da missa, eu não chorei. Só que a minha avó Paé, que até então não tinha falado nada, se pronunciou. Não lembro muito bem quais foram as palavras delas, mas a mensagem foi mais ou menos assim: “Quando eu era criança, mamãe tinha a pele muito vermelha e desgastada. Ela achava que aquilo era contagioso e pedia para a gente não ficar abraçando ela. Só que aquilo não era contagioso. Hoje eu percebi que não vou poder mais abraçá-la. Queria dizer para vocês, filhos e netos, que sempre que puder abraçar seu pais, sua mães ou seus avós, abrace-os”.

Aquelas poucas palavras fizeram com que eu e as minhas irmãs se aproximassem para dentro da capela. E, se até então eu estava mais atento em pequenas bobagens, eu percebi que vovó Guilhermina iria fazer falta para muita gente. Foram as palavras de vovó Paé, juntando-se ao corpo daquela velhinha dentro de um caixão, que fizeram com que eu começasse a chorar.

O choro, no entanto, sVovó Paé me disse que as histórias tristes a gente deve escrever na areia. Eu entendo esta mensagem, mas peço licença para escrever uma história triste, porque algumas palavras sobre o ato de abraçar decorrem desta história.

Era 2003, mainha tinha ido para a casa de vovó. Quando voltou, eu perguntei como tinha sido lá. “Sua vó foi direto de Cajueiro para o hospital. Ela disse que chegou lá 'toda cafajeste' e que o médico nem tinha dado atenção para ela. Mas ela falou que conseguiu ver vovó Guilhermina”.

Depois daquele dia, eu comecei a chamar pessoas mal-vestidas de “toda cafajeste”. Rio sempre porque lembro de vovó Paé falando “toda cafajeste”. Mas também naquele dia a mãe de vovó Paé não votaria mais para a casa. Vovó Guilhermina, minha bisavó, tinha sido internada porque tinha passado mal. Eu não lembro muito bem o que aconteceu, também nem procurei saber muito porque aquilo, para mim, era apenas a idade. Eu entendia que a fragilidade da saúde de vovó Guilhermina era porque ela já se encontrava velhinha, com seus 88 anos.

Foi mais ou menos um mês de idas e vindas ao Hospital do Coração, de visitas a UTI e de um coma que já não acabava mais. Vovó Paé contou para mim que tentou conversar com a mãe dela antes do coma, perguntando se ela sabia quem era. Vovó Guilhermina, que já não estava muito consciente, disse: “não é Dunga? É Alexandre”.

Numa sexta-feira à noite, enquanto eu ficava aperreando mainha para a gente assistir “Carandiru” no cinema, pois só poderia assistir ao filme acompanhado de um maior de idade, o telefone tocou. E, como era tio Hércules e muito raramente tio Hércules ligava lá para casa, eu já imaginava qual era a notícia.

Mainha ficou chorosa, com o rosto mais vermelho do que o usual. Começou a ligar para outras pessoas e a informar que vovó Guilhermina tinha morrido. O meu cinema de sexta-feira furou, além de que o sábado seria dia de enterro. O domingo, que já seria um dia das mães sisudo com a situação da bisavó, só se tornaria um pouco mais lamentável.

No cemitério, já se encontrava diversos familiares ao redor do caixão, dentro da capela. Eu não consegui entrar e fiquei escutando a missa do lado de fora, observando a situação distante juntamente com minhas duas irmãs mais velhas. Lembro que o clima estava muito agradável, lembro como eu achei ótimo as meninas da ginástica terem ido ao enterro e dá um apoio para vovó Paé. Lembro também o quão eu fiquei incomodado com pessoas usando óculos escuros dentro de uma capela, como se fosse vergonhoso mostrar lágrimas em um enterro.

Até o fim da missa, eu não chorei. Só que a minha avó Paé, que até então não tinha falado nada, se pronunciou. Não lembro muito bem quais foram as palavras delas, mas a mensagem foi mais ou menos assim: “Quando eu era criança, mamãe tinha a pele muito vermelha e desgastada. Ela achava que aquilo era contagioso e pedia para a gente não ficar abraçando ela. Só que aquilo não era contagioso. Hoje eu percebi que não vou poder mais abraçá-la. Queria dizer para vocês, filhos e netos, que sempre que puder abraçar seu pais, sua mães ou seus avós, abrace-os”.

Aquelas poucas palavras fizeram com que eu e as minhas irmãs se aproximassem para dentro da capela. E, se até então eu estava mais atento em pequenas bobagens, eu percebi que vovó Guilhermina iria fazer falta para muita gente. Foram as palavras de vovó Paé, juntando-se ao corpo daquela velhinha dentro de um caixão, que fizeram com que eu começasse a chorar.

O choro, no entanto, se intensificou, porque eu fui me sentar ao lado da minha mãe, que soluçava na primeira cadeira em frente ao caixão. Ela, que estava muito abalada, encostou a cabeça no meu ombro. Eu poderia ter pego as palavras de vovó Paé e ter abraçado minha mãe, mas eu me senti tão frágil que não consegui fazer isso.

A lição que acabara de ser ensinada, que era de fazer demonstrações de afeto enquanto a gente pode demonstrar, já não era cumprida. Posso não ter abraçado a minha mãe naquela hora, mas a menVovó Paé me disse que as histórias tristes a gente deve escrever na areia. Eu entendo esta mensagem, mas peço licença para escrever uma história triste, porque algumas palavras sobre o ato de abraçar decorrem desta história.

Era 2003, mainha tinha ido para a casa de vovó. Quando voltou, eu perguntei como tinha sido lá. “Sua vó foi direto de Cajueiro para o hospital. Ela disse que chegou lá 'toda cafajeste' e que o médico nem tinha dado atenção para ela. Mas ela falou que conseguiu ver vovó Guilhermina”.

Depois daquele dia, eu comecei a chamar pessoas mal-vestidas de “toda cafajeste”. Rio sempre porque lembro de vovó Paé falando “toda cafajeste”. Mas também naquele dia a mãe de vovó Paé não votaria mais para a casa. Vovó Guilhermina, minha bisavó, tinha sido internada porque tinha passado mal. Eu não lembro muito bem o que aconteceu, também nem procurei saber muito porque aquilo, para mim, era apenas a idade. Eu entendia que a fragilidade da saúde de vovó Guilhermina era porque ela já se encontrava velhinha, com seus 88 anos.

Foi mais ou menos um mês de idas e vindas ao Hospital do Coração, de visitas a UTI e de um coma que já não acabava mais. Vovó Paé contou para mim que tentou conversar com a mãe dela antes do coma, perguntando se ela sabia quem era. Vovó Guilhermina, que já não estava muito consciente, disse: “não é Dunga? É Alexandre”.

Numa sexta-feira à noite, enquanto eu ficava aperreando mainha para a gente assistir “Carandiru” no cinema, pois só poderia assistir ao filme acompanhado de um maior de idade, o telefone tocou. E, como era tio Hércules e muito raramente tio Hércules ligava lá para casa, eu já imaginava qual era a notícia.

Mainha ficou chorosa, com o rosto mais vermelho do que o usual. Começou a ligar para outras pessoas e a informar que vovó Guilhermina tinha morrido. O meu cinema de sexta-feira furou, além de que o sábado seria dia de enterro. O domingo, que já seria um dia das mães sisudo com a situação da bisavó, só se tornaria um pouco mais lamentável.

No cemitério, já se encontrava diversos familiares ao redor do caixão, dentro da capela. Eu não consegui entrar e fiquei escutando a missa do lado de fora, observando a situação distante juntamente com minhas duas irmãs mais velhas. Lembro que o clima estava muito agradável, lembro como eu achei ótimo as meninas da ginástica terem ido ao enterro e dá um apoio para vovó Paé. Lembro também o quão eu fiquei incomodado com pessoas usando óculos escuros dentro de uma capela, como se fosse vergonhoso mostrar lágrimas em um enterro.

Até o fim da missa, eu não chorei. Só que a minha avó Paé, que até então não tinha falado nada, se pronunciou. Não lembro muito bem quais foram as palavras delas, mas a mensagem foi mais ou menos assim: “Quando eu era criança, mamãe tinha a pele muito vermelha e desgastada. Ela achava que aquilo era contagioso e pedia para a gente não ficar abraçando ela. Só que aquilo não era contagioso. Hoje eu percebi que não vou poder mais abraçá-la. Queria dizer para vocês, filhos e netos, que sempre que puder abraçar seu pais, sua mães ou seus avós, abrace-os”.

Aquelas poucas palavras fizeram com que eu e as minhas irmãs se aproximassem para dentro da capela. E, se até então eu estava mais atento em pequenas bobagens, eu percebi que vovó Guilhermina iria fazer falta para muita gente. Foram as palavras de vovó Paé, juntando-se ao corpo daquela velhinha dentro de um caixão, que fizeram com que eu começasse a chorar.

O choro, no entanto, se intensificou, porque eu fui me sentar ao lado da minha mãe, que soluçava na primeira cadeira em frente ao caixão. Ela, que estava muito abalada, encostou a cabeça no meu ombro. Eu poderia ter pego as palavras de vovó Paé e ter abraçado minha mãe, mas eu me senti tão frágil que não consegui fazer isso.

A lição que acabara de ser ensinada, que era de fazer demonstrações de afeto enquanto a gente pode demonstrar, já não era cumprida. Posso não ter abraçado a minha mãe naquela hora, mas a mensagem ficou. Até hoje essas palavras meVovó Paé me disse que as histórias tristes a gente deve escrever na areia. Eu entendo esta mensagem, mas peço licença para escrever uma história triste, porque algumas palavras sobre o ato de abraçar decorrem desta história.

Era 2003, mainha tinha ido para a casa de vovó. Quando voltou, eu perguntei como tinha sido lá. “Sua vó foi direto de Cajueiro para o hospital. Ela disse que chegou lá 'toda cafajeste' e que o médico nem tinha dado atenção para ela. Mas ela falou que conseguiu ver vovó Guilhermina”.

Depois daquele dia, eu comecei a chamar pessoas mal-vestidas de “toda cafajeste”. Rio sempre porque lembro de vovó Paé falando “toda cafajeste”. Mas também naquele dia a mãe de vovó Paé não votaria mais para a casa. Vovó Guilhermina, minha bisavó, tinha sido internada porque tinha passado mal. Eu não lembro muito bem o que aconteceu, também nem procurei saber muito porque aquilo, para mim, era apenas a idade. Eu entendia que a fragilidade da saúde de vovó Guilhermina era porque ela já se encontrava velhinha, com seus 88 anos.

Foi mais ou menos um mês de idas e vindas ao Hospital do Coração, de visitas a UTI e de um coma que já não acabava mais. Vovó Paé contou para mim que tentou conversar com a mãe dela antes do coma, perguntando se ela sabia quem era. Vovó Guilhermina, que já não estava muito consciente, disse: “não é Dunga? É Alexandre”.

Numa sexta-feira à noite, enquanto eu ficava aperreando mainha para a gente assistir “Carandiru” no cinema, pois só poderia assistir ao filme acompanhado de um maior de idade, o telefone tocou. E, como era tio Hércules e muito raramente tio Hércules ligava lá para casa, eu já imaginava qual era a notícia.

Mainha ficou chorosa, com o rosto mais vermelho do que o usual. Começou a ligar para outras pessoas e a informar que vovó Guilhermina tinha morrido. O meu cinema de sexta-feira furou, além de que o sábado seria dia de enterro. O domingo, que já seria um dia das mães sisudo com a situação da bisavó, só se tornaria um pouco mais lamentável.

No cemitério, já se encontrava diversos familiares ao redor do caixão, dentro da capela. Eu não consegui entrar e fiquei escutando a missa do lado de fora, observando a situação distante juntamente com minhas duas irmãs mais velhas. Lembro que o clima estava muito agradável, lembro como eu achei ótimo as meninas da ginástica terem ido ao enterro e dá um apoio para vovó Paé. Lembro também o quão eu fiquei incomodado com pessoas usando óculos escuros dentro de uma capela, como se fosse vergonhoso mostrar lágrimas em um enterro.

Até o fim da missa, eu não chorei. Só que a minha avó Paé, que até então não tinha falado nada, se pronunciou. Não lembro muito bem quais foram as palavras delas, mas a mensagem foi mais ou menos assim: “Quando eu era criança, mamãe tinha a pele muito vermelha e desgastada. Ela achava que aquilo era contagioso e pedia para a gente não ficar abraçando ela. Só que aquilo não era contagioso. Hoje eu percebi que não vou poder mais abraçá-la. Queria dizer para vocês, filhos e netos, que sempre que puder abraçar seu pais, sua mães ou seus avós, abrace-os”.

Aquelas poucas palavras fizeram com que eu e as minhas irmãs se aproximassem para dentro da capela. E, se até então eu estava mais atento em pequenas bobagens, eu percebi que vovó Guilhermina iria fazer falta para muita gente. Foram as palavras de vovó Paé, juntando-se ao corpo daquela velhinha dentro de um caixão, que fizeram com que eu começasse a chorar.

O choro, no entanto, se intensificou, porque eu fui me sentar ao lado da minha mãe, que soluçava na primeira cadeira em frente ao caixão. Ela, que estava muito abalada, encostou a cabeça no meu ombro. Eu poderia ter pego as palavras de vovó Paé e ter abraçado minha mãe, mas eu me senti tão frágil que não consegui fazer isso.

A lição que acabara de ser ensinada, que era de fazer demonstrações de afeto enquanto a gente pode demonstrar, já não era cumprida. Posso não ter abrVovó Paé me disse que as histórias tristes a gente deve escrever na areia. Eu entendo esta mensagem, mas peço licença para escrever uma história triste, porque algumas palavras sobre o ato de abraçar decorrem desta história.

Era 2003, mainha tinha ido para a casa de vovó. Quando voltou, eu perguntei como tinha sido lá. “Sua vó foi direto de Cajueiro para o hospital. Ela disse que chegou lá 'toda cafajeste' e que o médico nem tinha dado atenção para ela. Mas ela falou que conseguiu ver vovó Guilhermina”.

Depois daquele dia, eu comecei a chamar pessoas mal-vestidas de “toda cafajeste”. Rio sempre porque lembro de vovó Paé falando “toda cafajeste”. Mas também naquele dia a mãe de vovó Paé não votaria mais para a casa. Vovó Guilhermina, minha bisavó, tinha sido internada porque tinha passado mal. Eu não lembro muito bem o que aconteceu, também nem procurei saber muito porque aquilo, para mim, era apenas a idade. Eu entendia que a fragilidade da saúde de vovó Guilhermina era porque ela já se encontrava velhinha, com seus 88 anos.

Foi mais ou menos um mês de idas e vindas ao Hospital do Coração, de visitas a UTI e de um coma que já não acabava mais. Vovó Paé contou para mim que tentou conversar com a mãe dela antes do coma, perguntando se ela sabia quem era. Vovó Guilhermina, que já não estava muito consciente, disse: “não é Dunga? É Alexandre”.

Numa sexta-feira à noite, enquanto eu ficava aperreando mainha para a gente assistir “Carandiru” no cinema, pois só poderia assistir ao filme acompanhado de um maior de idade, o telefone tocou. E, como era tio Hércules e muito raramente tio Hércules ligava lá para casa, eu já imaginava qual era a notícia.

Mainha ficou chorosa, com o rosto mais vermelho do que o usual. Começou a ligar para outras pessoas e a informar que vovó Guilhermina tinha morrido. O meu cinema de sexta-feira furou, além de que o sábado seria dia de enterro. O domingo, que já seria um dia das mães sisudo com a situação da bisavó, só se tornaria um pouco mais lamentável.

No cemitério, já se encontrava diversos familiares ao redor do caixão, dentro da capela. Eu não consegui entrar e fiquei escutando a missa do lado de fora, observando a situação distante juntamente com minhas duas irmãs mais velhas. Lembro que o clima estava muito agradável, lembro como eu achei ótimo as meninas da ginástica terem ido ao enterro e dá um apoio para vovó Paé. Lembro também o quão eu fiquei incomodado com pessoas usando óculos escuros dentro de uma capela, como se fosse vergonhoso mostrar lágrimas em um enterro.

Até o fim da missa, eu não chorei. Só que a minha avó Paé, que até então não tinha falado nada, se pronunciou. Não lembro muito bem quais foram as palavras delas, mas a mensagem foi mais ou menos assim: “Quando eu era criança, mamãe tinha a pele muito vermelha e desgastada. Ela achava que aquilo era contagioso e pedia para a gente não ficar abraçando ela. Só que aquilo não era contagioso. Hoje eu percebi que não vou poder mais abraçá-la. Queria dizer para vocês, filhos e netos, que sempre que puder abraçar seu pais, sua mães ou seus avós, abrace-os”.

Aquelas poucas palavras fizeram com que eu e as minhas irmãs se aproximassem para dentro da capela. E, se até então eu estava mais atento em pequenas bobagens, eu percebi que vovó Guilhermina iria fazer falta para muita gente. Foram as palavras de vovó Paé, juntando-se ao corpo daquela velhinha dentro de um caixão, que fizeram com que eu começasse a chorar.

O choro, no entanto, se intensificou, porque eu fui me sentar ao lado da minha mãe, que soluçava na primeira cadeira em frente ao caixão. Ela, que estava muito abalada, encostou a cabeça no meu ombro. Eu poderia ter pego as palavras de vovó Paé e ter abraçado minha mãe, mas eu me senti tão frágil que não consegui fazer isso.

A lição que acabara de ser ensinada, que era de fazer demonstrações de afeto enquanto a gente pode demonstrar, já não era cumprida. Posso não ter abraçado a minha mãe naquela hora, mas a mensagem ficou. Até hoje essas palavras me tocam profundamente. Se vovó Paé colocou “cafajeste” no meu vocabulário, ela também fez com que eu aprendesse a importância de abraçar e, sobretudo, que o melhor dia de demonstrar afetos para parentes e companheiros é o dia de hoje, antes que fique tarde demais.açado a minha mãe naquela hora, mas a mensagem ficou. Até hoje essas palavras me tocam profundamente. Se vovó Paé colocou “cafajeste” no meu vocabulário, ela também fez com que eu aprendesse a importância de abraçar e, sobretudo, que o melhor dia de demonstrar afetos para parentes e companheiros é o dia de hoje, antes que fique tarde demais. tocam profundamente. Se vovó Paé colocou “cafajeste” no meu vocabulário, ela também fez com que eu aprendesse a importância de abraçar e, sobretudo, que o melhor dia de demonstrar afetos para parentes e companheiros é o dia de hoje, antes que fique tarde demais.sagem ficou. Até hoje essas palavras me tocam profundamente. Se vovó Paé colocou “cafajeste” no meu vocabulário, ela também fez com que eu aprendesse a importância de abraçar e, sobretudo, que o melhor dia de demonstrar afetos para parentes e companheiros é o dia de hoje, antes que fique tarde demais.e intensificou, porque eu fui me sentar ao lado da minha mãe, que soluçava na primeira cadeira em frente ao caixão. Ela, que estava muito abalada, encostou a cabeça no meu ombro. Eu poderia ter pego as palavras de vovó Paé e ter abraçado minha mãe, mas eu me senti tão frágil que não consegui fazer isso.

A lição que acabara de ser ensinada, que era de fazer demonstrações de afeto enquanto a gente pode demonstrar, já não era cumprida. Posso não ter abraçado a minha mãe naquela hora, mas a mensagem ficou. Até hoje essas palavras me tocam profundamente. Se vovó Paé colocou “cafajeste” no meu vocabulário, ela também fez com que eu aprendesse a importância de abraçar e, sobretudo, que o melhor dia de demonstrar afetos para parentes e companheiros é o dia de hoje, antes que fique tarde demais.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

O beijo do fim da guerra

Uma das fotos mais famosas da segunda guerra é "the end's war kiss", tirada no meio da rua de Nova Iorque.


"Eu estava no metrô na Times Square e quando eu subia as escadas, uma mulher do lado de fora me disse que ela estava muito feliz por mim. Eu perguntei 'Hey por quê?" e ela disse: "A guerra acabou, você pode ir para casa agora!". Eu estava tão animado que eu comecei a pular e gritar, porque o meu irmão mais velho era um prisioneiro de guerra(...) Em seguida, a enfermeira abriu os braços para mim. Fui até lá e beijou-a. Vi um homem correndo para perto da gente... Eu pensei que era um marido ciumento ou namorado querendo me arrancar os olhos. Quando olhei para cima, vi que ele estava tirando a foto. Aí eu beijei ela o tempo necessário para ele tirar a foto. Eu inclinei a minha mão para trás, para que pudesse mostra o rosto dela... "

Ninguém acha esta foto pornográfica. Ninguém acha esta foto "pornografia lascívia". Por que um beijaço gay seria?

Se o Marcelo Hermes, professor da UnB, acha que o corredor da universidade não é um "lugar de beijos lascivos (seja gay ou hetero)", então ele vê esta foto como pornografia e que milhares de livros de história mundial e dos Estados Unidos são revistas pornôs, estilo "Playboy" e "GMagazine".

Marcelo Hermes, se você vê aquelas fotos com pornografia, ou você tá fazendo um julgamento que a foto "The end's war kiss" é pornografia, ou você ficou com tesãozinho por aqueles dois garotos bonitos que apareceram no site da UnB... qualquer das alternativas é super lamentável.

íntegra do texto do Marcelo Hermes: http://cienciabrasil.blogspot.com/2011/05/unb-promove-o-atentado-ao-pudor-no-seu.html



sexta-feira, 13 de maio de 2011


"É melhor morrer jovem enquanto está no auge". O auge, entretanto, já se foi há muito tempo.

Lacraia tem este apelido por ser uma dançarina de grande desenvoltura corporal. Diferentemente, Aluisio de Azevedo, no seu romance "O Cortiço", descreve uma personagem, a Rita Baiana, não por meio de um apelido, mas pela metáfora "requebrava como uma cobra". Mais de um século de diferença, nem há mais razões de se utilizar da metáfora "como uma cobra"; a metonímia serve bem melhor, economiza palavras. Aliás, a metonímia assume a nossa animalidade. Agora somos tigrões, cachorras, melancias.

Lacraia é símbolo dessa mudança, mostrando que a distinção "natureza e cultura" é de uma epistemologia retrógrada, machista e heteronormativa. Ser meio animal permite romper com oposições que calam quem não se enquadra nelas.

Lacraia, meio homem, meio mulher e meio animal, foi duramente criticada quando surgiu no Domingo Legal do ano de 2003. Pais ficaram enfurecidos em dar destaque a um indivíduo que ensinava às pessoas demonstrarem sexualidade de maneira dúbia. É como se ela fosse um sapato que jamais poderia ser colocado em cima da mesa. A Lacraia, em si, não era "suja", mas o lugar dela não "era no domingo à tarde". Como sapato, seu lugar era o chão. Ainda bem que a Lacraia teve voz (e imagem) e que as pessoas sintonizaram às televisões para ver seu requebrado e escutar McSerginho.

Lacraia trouxe voz aos híbridos da natureza e da cultura. Pode não ter ficado no auge e ter morrido em um ostracismo relativo, já que agora a moda é mulheres frutas. Mas as mulheres frutas só têm voz hoje porque um dia foi permitido que a mulher réptil dançasse "tô mandando um beijinho pra filhinha e pra vovó/ só não posso esquecer da minha égua pocotó".